Conservatória cresceu e prosperou durante o ciclo do café da economia brasileira, a partir do século passado. Foto: Locomotiva em Conservatória, RJ por Cristiane Siqueira
A cidade, hoje distrito do município de Valença, foi um importante elo na produção e circulação do café, abrigando mais de 100 fazendas que plantavam o café e o escoavam pelo antigo caminho ferroviário.
As centenárias construções da vila, em estilo colonial, algumas do século XVIII, até hoje são preservadas. As ruas principais mantêm as pedras de pé-de-moleque originais da construção.
O estilo colonial inspirou vários romances famosos, alguns transformados em novelas, como Escrava Isaura, O Feijão e o Sonho, Sinhazinha Flô, Cabocla, entre outros.
A prosperidade econômica do final do século XIX deu início a outra tradição na vila: a das serenatas – a música cantada sob o sereno -, que hoje atraem mais de mil pessoas a cada fim-de-semana para a cidade, vindas dos mais diversos recantos do país e do exterior.
O que fazer em Conservatória

Há muito o que fazer em Conservatória e adjacências, porém, com um roteiro bem planejado é possível conhecer os principais pontos turísticos do centro histórico em um dia.
Apesar disso, só quem pernoita durante os fins de semana tem o privilégio de acompanhar as serestas que acontecem nas noites de sábado. Aproveite o domingo para se refrescar nas cachoeiras da região.
Conheça alguns pontos turísticos
Locomotiva 206
Cartão postal de Conservatória, a Locomotiva 206, presenciou os tempos de glória do Vale do Café.
A linha que levava até a estação de Conservatória foi inaugurada em 21 de novembro de 1883 e contou com a presença do imperador Dom Pedro II.
Serviu para carregamento de café e transporte de passageiros durante 78 anos, até que foi desativada, em agosto de 1961.
Antiga Estação Ferroviária
Após o desmonte dos trilhos, a estação de trem deu lugar à atual rodoviária de Conservatória. Nela também funciona um museu e o Destacamento de Policiamento Ostensivo, unidade básica de apoio da Polícia Militar.
Uma curiosidade sobre a Antiga Estação Ferroviária é que sua base foi construída com pedras retiradas durante a escavação do túnel que chora.
Túnel que Chora
O Túnel Maria Nossar, mais conhecido como Túnel que Chora, possui 100 metros de comprimento e 5 de altura e foi inaugurado em 1883 com objetivo de dar passagem à linha férrea que ligava Conservatória a outros lugares do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.
Suas “lágrimas” têm origem em uma nascente próxima, que faz a água escorrer pelas pedras em determinadas épocas do ano.
Casa de Cultura de Conservatória
O antigo casarão que pertenceu ao barão do café Francisco Leite Ribeiro atualmente se divide em quatro espaços: no primeiro deles está o acervo completo do antigo Museu da Seresta; o segundo é dedicado a exposições temporárias; o terceiro abriga obras de arte de artistas locais; o quarto e último espaço guarda rádios e aparelhos eletrônicos antigos, que vão desde a década de 1920 até 1990.
Museu Vicente Celestino e Gilda de Abreu
Vicente Celestino foi um grande cantor e ator do século 20 e Gilda Abreu, sua esposa, se destacou como cantora lírica, escritora, radialista, atriz e cineasta. O museu dedicado aos dois foi inaugurado em 1999 e não pode ficar de fora do roteiro.
O acervo conta com figurinos, instrumentos musicais, mobiliário antigo, fotografias, discos, troféus, além de muitos recortes de jornais e revistas selecionados a dedo pelo curador Wolney Porto.
Igreja Matriz de Santo Antônio
Inaugurada em 1868, a Igreja Matriz de Santo Antônio ocupa o lugar onde havia uma antiga capelinha de pau a pique. Foi construída por iniciativa da família Leite Ribeiro com mão-de-obra vinda de Portugal.
Programe-se para visitar Conservatória no quarto domingo do mês, quando os seresteiros se juntam ao coral das cidade nos cantos litúrgicos e os turistas são convidados a ler os salmos, tornando a celebração ainda mais especial.
Cachaçaria Vilarejo
Na Cachaçaria Vilarejo, além de aprender sobre a fabricação da cachaça, há uma lojinha onde é possível adquirir muitos produtos da roça, como rapadura, melado, mel, doces em compota, torresmo, café, queijo, linguiça e artesanatos em geral.
Hotel Fazenda Florença
Seguindo pela estrada Cachoeira, chegamos a essa imponente construção inaugurada pela família Teixeira Leite em 1852, período áureo do ciclo do café.
Ocasionalmente acontecem representações com personagens caracterizados, recontando a história da fazenda e de figuras importantes que passaram por ali, como o Imperador D. Pedro II e de sua esposa, a Imperatriz D. Teresa Cristina.